Perdemos a Copa!

Luiz Roberto Gravina Pladevall (*)

O Brasil está muito longe de conquistar a vitória na “Copa do Saneamento Básico” aponta um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) feito com os países participantes da Copa do Mundo 2014.

A sondagem considerou a qualidade dos serviços e infraestrutura do setor e o País ficou na 25ª posição, sendo inclusive ultrapassado pela Croácia e pelo México, nossos adversários na Copa do Mundo de Futebol. A liderança é da poderosa Alemanha, seguida pela França.

O levantamento da Abes usou dados do Programa de Monitoramento Conjunto para o Abastecimento de Água e Saneamento da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e Organização Mundial da Saúde (OMS). O nosso “conjunto” de saneamento precisa de muito treino para entrosamento, já que 18% da população ainda não tem acesso à agua tratada e 52% não contam com coleta adequada de esgoto. O meio de campo fica ainda mais embolado quando constatamos que apenas 38,7% do esgoto gerado recebe algum tipo de tratamento.

Nessa bola dividida, o Brasil corre sem fôlego no meio de campo e aumentou apenas em cerca de 15% o número de pessoas que passou a ter acesso a saneamento básico desde 2000. Nosso toque de bola ainda está aquém de países como China (17%), México (19%), África do Sul e Filipinas (21%) e Índia (25%) e é similar ao da Argentina.

O País tem pela frente o grande desafio de organizar o “meio de campo” do setor de saneamento com fortes investimentos capazes de atender as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). Nos próximos 20 anos, para alcançar lugar de destaque no setor, precisamos investir mais de R$ 500 bilhões no período.

Essa corrida contra o tempo tem muitas barreiras pela frente, principalmente nos municípios brasileiros. Eles são responsáveis pelo Plano de Saneamento Municipal, mas 80% das cidades brasileiras não têm condições técnicas de elaborar um plano de acordo com as suas necessidades.

Corremos o risco de errar na cobrança do pênalti, ou seja, termos recursos, mas sem projetos que atendam às reais necessidades da população. A grande dificuldade da nossa “seleção” do saneamento é mudar de tática e parar de jogar na defensiva. Precisamos partir para o ataque e fazer um golaço histórico eliminando de uma vez por todas os problemas de saneamento básico que ainda afetam milhões de brasileiros. É hora de muito preparo para conquistarmos a vitória também nessa Copa do Saneamento Básico.

(*) Luiz Roberto Gravina Pladevall é presidente da Apecs (Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente).

 

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